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Não Apaguem As Estrelas
( Raymundo Silveira BRA )

 

 

 

Não apaguem as nossas estrelas.

Elas são tão poucas; roucas

(Alguns dizem que são loucas),

De tanto falarem

E poucos escutarem.

 

Não apaguem as nossas estrelas

Muitos dizem que são insanas;

Que são todas doidivanas,

Mas, igual a Bilac, eu as escuto

“Pálido de espanto”.

 

Não apaguem as nossas estrelas:

Nem nos pampas, nem em Sampa,

Nem no Rio ou São Luís

Nem em qualquer pedaço de céu

Deste grande pequeno país.

 

Não apaguem as nossas estrelas:

Quase ninguém mais as vê,

Pois como bem disse o poeta

Existe uma “feia fumaça”

Empenhada em apagá-las.

 

Não apaguem as nossas estrelas:

Hilda partiu e, portanto surgiu

Mais um astro no firmamento,

Só pra fazer muita inveja

Ao Cruzeiro do Sul.