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5 POESIAS

( Daniel Cristal POR )

 

 

 

É ASSIM!
 
É assim! Vou à toa com a feliz aragem
da manhã. Um dia qualquer parto
sem saber se regresso. Estou farto
de sonhar sem ingresso noutra margem.

Parto sem deixar rasto nem odor
sem anúncio barato nem alarde
numa simples jangada ou no garbo
com esplendor das asas dum açor...

Assim é: sem ninguém saber porquê
desfraldo as velas brancas contra o vento
e rumo até ao belo firmamento.

A aragem da manhã que ninguém vê
nesse fresco e feliz momento brando
traz a força da Alma ao meu quebranto.

14.08.2004


 


Chamaram-me Senhor desde a juventude
Nada fazendo eu para ser assim chamado.
Apresentei-me sempre com solicitude...
Sempre como sentia que devia ser olhado.

Não há, portanto, nada que me traia;
E quem me olhava de soslaio
Depressa descobria que estava errado.
Foi assim o outro quem me fez rogado.

E ainda que hoje me maldigam
E procurem rasteirar-me por despeito
Imperturbável continuo a ter por mim respeito.

Pois que cada um vive seu próprio estilo,
Cada um nasce pró que é, e a mais não é obrigado,
E se se queixa mais valia estar calado.

29.08.2004


 


A TUA HUMANIDADE

Se estiveres cansado do mesmo som,
Repete até doer a amargura,
Porque a dor tudo cura; ela é o dom
Que transforma o que é fraco em doçura.

Se tudo for recomeço do que é velho,
Repete este acto à exaustão, e até doer;
Alguma coisa há-de acontecer
Até que tudo seja amarelo.

Só a essência não muda, e ela é muda.
E se o mundo já não te surpreende,
Surpreende tu o mundo pela senda
Da palavra feliz que o transmuda.

Sabor a amargo-doce, menos sonho.
Cumpre-te ser humano até ao fim;
Cumpre-te cumprir tudo no enfadonho
Ou transformar tudo em carmesim.

No fim, ficará a tua humanidade
Que em algum coração foi despertada;
Tudo cumprido na precariedade...
Vida e morte, no fim, são tudo e nada.

02.01.2004




DISCAR O SOL

Se algum dia me vires numa nuvem
a teclar todo o sol no nevoeiro,
verás todo o arco-íris na penugem
e todo o cereal puro num celeiro.

Porque canto o pássaro do futuro,
e a mão do semeador a dar amor...
Olvido esta dor do labor duro:
o verso semeado noutra cor.

Fragmento a cor sem outra dor
que não seja a alegria do amor;
e amo tudo o que faço neste dia.

E porque a utopia é a harmonia
que nunca nos é dada sem favor,
trabalho com ardor pelo bom-dia.

09.01.2004 ©ArmandoFigueiredo

 

 


CASTIGO DIVINO?
 
Se o sofrimento existe, ele redime,
mas é necessário abalá-lo!
Medita na tua vida: ela é firme
ou nada te acrescenta no abalo.

O abalo é viver na indecisão,
na falta da estrutura que bem firma
a alegria de ter um coração
que no amor ao outro se afirma.

É importante sermos responsáveis
pelas nossas acções; elas conduzem
a nossa vida térrea: são saudáveis
os que o Bem praticam e seduzem.

Mundo e Homem perfeitos nunca são:
preciso é construir a perfeição.

05.01.2004

 

 

Os três heterónimos de Armando Figueiredo (ortónimo):

 

1. DANIEL CRISTAL (veja em):

http://daniel.cristal.planetaclix.pt/index.html
http://www.saladepoetas.eti.br/forum.htm  
 
2. EUGÉNIO DE SÃO VICENTE (veja em):
 

http://www.bvcaestamosnos.hpg.ig.com.br/eugenio/index.htm

http://www.saladepoetas.eti.br/1armando/futurecer.htm

 

3. JOSÉ VICENTE PORTUGAL (veja em):

http://www.saladepoetas.eti.br/vicente.htm