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6 poesias
 ( Maria Petronilho POR )

 


Do Fim do Amor

que nenhum amor se acabe
como uma ventania
que o coração nos arranca
que a nossa mente arrasta
para o vago longe nada

que o fim de um amor seja
tão suave como a brisa
colhendo uma por uma
as folhas cor de laranja
entre-o-amor construída

Que nenhum amor se acabe
como uma chuvada que inunda
destruindo a nossa alma
deixando-a pesada de lama
sem forma nem formosura

Que o fim do amor seja
chuva que cai pinga a pinga
no fim de numa tarde morna
em que a gota no chão forma
uma nuvem que se evola

Que Amor findaria nunca?
amar é o acto de Ser
e Ser É continuar!

 

É O SONHO QUE NOS LEVA

Volatilizo-me

No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!

Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!

Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas

Pairo
Em nuvens
Que me semeiam

Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras

Não conheço
As cores
Mas os aromas

No ar vamos
Do ar somos

Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!

Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros

Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!

 

 

 

ESTOU TRISTE

Estou triste
tão triste como
uma folha que cai vendo
o aproximar do chão
estou triste
não é outono
estremeço pressentindo
o tombo, a desilusão
estou triste
vou derivando
na órbita do falso mundo
que nada respeita e temo
entregar meu coração
estou triste,
 tão triste vendo
nuvens negras impedindo
a chegada do verão!


LEVA-ME CÉU DENTRO

Nas tuas asas imensas
de plácido cisne branco
atravessarei o oceano
com o coração pulsando
da mais intensa alegria
verei o esplendor da aurora
onde o cruzeiro do sul
é amiga referência

Ah... pradarias eternas
e altas montanhas puras
poder enfim abraçá-las!
Ah ...ver enfim as baleias
cantado entre si ao largo
e os condores planando!

Ah ... Buenos Aires do tango
chegar etérea voando
a pequenina ave presa
que pena, só poesia
e uma saudade imensa
não sei donde, antecipada!

 

Minha Lisboa

É uma cidade ancorada

talvez fosse uma jangada

É uma cidade tecida

de ruelas e escadinhas

unindo as sete colinas

 

É um bordado de pedra

onde o coração flutua

cintila entre mar e Tejo

onde se enleia e espelha

 

onde terra, mar e céu

se casaram,  nasci eu

e ainda que sendo dela

ergo os estendais qual vela

e adentro como asa branca

a aura de céu cor de rosa

buscando outra ventura

 

 

 

No silêncio negro

No silêncio negro da noite
Eles lutam
Passam calados, em fila,
Sofrendo.
No silêncio negro da noite
Eles escrevem
E as paredes brancas
Ficam reflectindo a ânsia
Dos corações subjugados.
No silêncio negro da Situação
Marchamos.

Na degradação total,
Passamos calados
Lutando na noite