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vários poemas
( Gustavo Dourado BRA )
A Saga de Conselheiro nos Sertões
Retorno ao longo do tempo
Para poder recordar
Dos Sertões de Conselheiro
Com Euclides a narrar
A Epopéia de Canudos
Vou aqui rememorar ...
Mestre Euclides da Cunha
Jornalista e engenheiro
Escritor de obra-prima
E lida no mundo inteiro...
Os Sertões é grande clássico
Do pensamento brasileiro...
Euclides era rigoroso
Na elaboração textual
Militar e engenheiro
Jornalista social
Da epopéia de Canudos:
Fez registro magistral...
O levante popular
De Antônio Conselheiro
Deu-se pelo descaso
Do Governo Brasieliro.
Ignorância e miséria:
Tomam conta do terreiro...
Chacina sem precedentes
Sob comando estatal...
Todo um povo massacrado
Pela República tão brutal...
Por uma elite opressora
Corrupta e anti-social ...
O masasacre de Canudos
Retratou com evidência
O Estado que assasina...
Desgoverno sem consciência...
Os canhões contra os civis:
É barbárie e truculência...
Os Sertões é obra-prima:
Monumento nacional...
Retrata um episódio
Histórico e crucial...
O Estado contra o Povo:
Um escândalo sem igual...
A batalha foi sangrenta
O povo contra o poder
A República sanguinária
Fez a História perverter
Botou fogo e jogou água
Para o crime esconder...
Gemem as almas das crianças
No local abandonado...
Velhos e moribundos
Todos vítimas do Estado
Deu-se o bárbaro Holocauto
De um povo martirizado...
Ré...República criminosa
Hecatombe no Sertão...
Milhares exterminados
Pelas mãos da repressão
Do Estado que tortura
E castra a Revôolução...
Continua o mesmo drama
No Brasil de Sul a Norte
A miséria em todo canto
Exploração em grande porte
Fome, morte, espoliação:
Paus-de-arara no transporte...
Sertanejo sempre bravo
Corajoso...combatente...
Enfrentou com garra e fé
O veneno da $erpente
O Estado autoritário
Que massacra a sua gente...
Canudos é um exemplo
De um povo bem valente
Forte por natureza...
Sempre foi um resistente
Contra as agruras da vida:
De uma elite que só... mente...
O Estado tudo fez
Para a História esconder...
Inundaram o local
Para o fato perecer
Mas a seca de repente:
Faz tudo aparecer...
Os massacres continuam
Contra o povo sofredor
Um povo que não se curva
À miséria e a dor...
Que quer novo Coneselheiro:
Para ser seu Redentor...
Povo que não quer esmola
Quer saúde e educação
Quer crédito para o plantio
De arroz, milho e feijão...
É um povo que só recebe:
Imposto, fome, exploração...
Um povo que não se verga
À tirania do Estado...
Que vive no sofrimento
Faminto e espoliado:
Um povo que não agüenta:
A mísera vida de gado...
É um povo sonhador
Que quer o essencial
Terra, amor, casa e comida
Emprego e vida normal ...
Que quer paz e equilíbrio
Sem miséria no quintal...
A Insurreição Sertaneja
Em Os Sertões é retratada
Tudo está tão desigual
Sofrimento na jornada...
Um povo que passa fome
Sem escola, sem mais nada...
Euclides ecoou o Grito...
Do sertanejo, o degredo
Resgate-se nossa História
Desenrole-se o enredo...
Enalteça-se o Conselheiro:
Um brasileiro sem medo...
Os Sertões e sua gente
Euclides nos demonstrou
"O sertanejo é um forte"
O mestre salientou...
Foi além do científico:
Ao sertanejo: humanizou...
Mandacarus, xiquexiques...
Gravatás, surucucu...
Cactáceas e xerófitas
Cascavel, jaracuçu...
Cabeças de frade ao vento:
As sombras dos pés de Umbú...
O vaqueiro na paisagem
Na caatinga: imperador...
Espora e gibão de couro
Gigante desbrava-a-dor
No sertão tem seu destaque:
Nos versos do cantador...
Crianças abandonadas
Sertanejos destemidos...
O Estado sempre ausente
Naqueles mundos perdidos...
Um homem a resistir:
Lá nos sertões esquecidos...
Tudo continua igual
Pelas bandas do Sertão...
O Povo a passar fome:
Não recebe educação...
Na espreita os Conselheiros:
Pra nova rebelião...
Torquatiana
Anjo louco renascente
Anjo barroco cigano
Netuno do oceano
Sertanejo universal
Torquato fenomenal
És poeta soberano
Desfolhaste a bandeira
Da manhã luz tropical
Estrela d'alva serena
Vespertina musical
Ritmaste a nova era
Iluminando o carnaval.
Combateste o arcaísmo
O modismo, a opressão,
Ao morrer eternizou-se
Sem medo da repressão
Foste vítima da tortura
Da angústia da razão
Antropófago criativo
Multi-artista criador
Mago do tropicalismo
Morreu de arte e amor
Morreste abandonado
Pelo sistema jogado
Ne precipício da dor...
Cordel da Fome
(à medida do homem)
Em Memória de Josué de Castro, Betinho, Jorge Amado, Raul Seixas e
João Cabral de Melo Neto...
Aos Mártires do Brasil e do Mundo...
Aos que lutam por um mundo melhor...
Geografia da fome
É um livro universal...
Disseca a realidade
Da terra do carnaval...
Da sub-desnutrição
Via multinacional...
Josué lembra os Sertões
O Quinze, a Bagaceira
Vidas Secas-Lampião,
Patativa, Zé limeira...
Repente-Cordel-Cangaço
Xaxado... Mulher–Rendeira
Josué mártir–guerreiro,
A fome nos violenta,
Tortura a população
Desnutre desorienta.
Fome de Educação...
É oito ou é oitenta...
Mestre da geografia
Médico e pensador
Diplomata e filósofo
Cientista-escritor
Homem público-honesto
Inteligente-criador...
Foste profeta da fome,
Perseguido-exilado
Embaixador em Genebra,
Na ONU foi destacado...
Por sua capacidade,
Ao Nobel foi indicado...
Pobres homens-caranguejos,
Comendo lixo e lama...
Seres sem-terra, sem-teto,
Vítimas da grande trama
Tornam-se anões-gabirus
Sem escola e sem cama...
Humanidade faminta,
De amor, prazer e pão
Falta escola, falta paz...
Só não falta exploração
Falta o feijão com arroz,
Na novela da opressão...
Fome global no mundo
No Brasil: calamidade...
Desemprego-desgoverno
Subnutrem a verdade.
A fome devora a vida,
No campo e na cidade...
Fome histórico-geográfica,
Neste Brasil continente.
Devora o trabalhador,
Com salário deprimente.
Carcome a vitalidade
E a luz de nossa gente...
A corrupção impera
No coração do Brasil
Alibabás e lalaus
multiplicam-se por mil
Entregam o patrimônio
Ao estrangeiro hostil
Guaribas e Cearás
Vitimados pela fome
O terror massacra o povo
Analfabeto sem nome...
Gringos comem caviar
Lá em Londres e Maiame...
A fome assola a terra...
O Brasil de sul a norte
Saara... Afeganistão...
La fome é irmã da morte
Xangô Cristo Alá Tupã
Como fica nossa sorte?
O que será do Brasil?!
Tanta renda concentrada!
A fome matando a plebe...
Amazônia devastada...
O que será do planalto?
Terá luz na alvorada?
Até quando o descaso?
A grande massa espoliada
Trabalhadores com fome,
Sem salário, na estrada...
Sem-terra, sem esperança,
se alimentando do nada?!
A fome é um dilema
Neste país continente
Falta lastro e competência,
Pra elite dirigente,
Que mata o povo de fome:
Raiva dengue dor de dente...
Severinos retirantes,
Favelados na miséria,
Governantes! Olho vivo...
A situação é séria...
O povo já virou gado.
Nessa vida deletéria.
O povo vive inchado
por falta de nutriente...
O povo está calado,
Porém, não está contente,
Quer mudar o paradigma,
Da gestão incompetente.
Valei-nos Santa Quitéria,
São Cristóvão, São Joaquim,
São Lutero, São Calvino,
Na inquisição do fim...
Varrei a fome do mundo...
São Miguel, São Serafim.
Valei-nos Nossa Senhora,
Nosso Senhor do Bonfim
Minha mãe Aparecida...
O que é que será de mim?!
Com o salário congelado,
será que será o fim?!!
Valei-me meu Padim Ciço
São Pedro e São João
A fome devora o povo
Com tanta corrupção...
Impera dor no palácio:
Acuda... Frei Damião...
Lá na Vila Estrutural,
Sombria desnutrição,
Nos recantos-samambaias,
Nas favelas da ilusão...
Valei-me Santa Maria
E meu São Sebastião
Está na hora de mudar
Repartir melhor a renda,
Com aluno bem nutrido
Qualidade na merenda
Espero chegar ao dia
Que a fome seja lenda...
O latifúndio esfomeia
Traz o êxodo rural
Faveliza o cidadão
Dilacera o social
Reforma agrária urgente...
Grita a plebe marginal
Na luta, na resistência,
Zumbis e Conselheiros
Quilombos e contestados,
Nos Canudos brasileiros
Escreveram a História
Patriotas verdadeiros...
Exportam o alimento
Pra Europa-pro Japão,
O povo fica faminto
Comendo luz-ilusão
Maqueiam fome-novela
Mascaram na televisão...
Revolucionar o estado
E a nação transformar
Conquistar soberania
E a fome exterminar...
Fazer o povo feliz
“Cante lá, que eu canto cá” ...
Ao jovem Mestre Rodrigo
Nosso vate comandante
Aos colegas de Escola...
lutadores, sempre avante
Gente que combate a fome,
Faz Josué triunfante...
Vida na linha de frente,
Luminosa, radiante...
Amor, uma obra-prima,
Universal transmutante
A Arte nos alimenta,
Com a leitura de Dante...
A todos, nossa amizade...
E nossa admiração...
É preciso consciência
Em uma Nova Gestão...
Desejo paz e sucesso
Mundo em Revôolução...
Apresentado como Trabalho nota 10 no Curso de Pós-Graduação Em Gestão Pública 2001/2002
ONU/ESCOLA DE GOVERNO
Rosa da Poesia
O poeta nos encanta:
Patativa do Assaré
Desencanta a poesia
E agora, seu José?
Eu quero a Rosa do Povo
Nuniverso de Quelé...
Nísia Floresta Brasileira Augusta
Ao Jornalista Augusto de Freitas e à Professora Constância Lima Duarte...
Nísia Floresta, é exemplo
Na luta pela liberdade
Modelo para as mulheres
No caminho da verdade
Criativa, ás, inovadora
Crítica da Realidade...
Dionísia Gonçalves Pinto
É o seu nome verdadeiro
Contestadora, republicana
Residiu no estrangeiro
Sua luta pela Mulher
Repercutiu no mundo inteiro
Potiguar por nascimento,
É cidadã universal
Nísia Floresta, Augusta,
Brasileira sem igual...
Mulher de fibra e talento,
Transformadora Social...
Gen de Dionísio e Antônia,
Nasceu lá no Papari
Sítio próspero, cultivado
Águas do rio Trairi,
Lembra-nos Mestre Cascudo
As origens de Poti...
Multifacetada, abrangente,
Positiva, luminária...
Crítica, renovadora
Fez pesquisa literária
Navegante da palavra,
Consciente, igualitária
Escreveu diversos livros
Foi um marco na História
Nísia merece os louros,
Os altos píncaros da glória,
Preparou caminhos-trilhas
Para a Mulher ter vitória...
Páginas de uma Vida Obscura
Itinerário à Alemanha,
Augusto Comte e Nísia Brasileira,
Correspondência tamanha,
Nísia, Mulher de fibra,
Luminosa à montanha...
A Lágrima de um Caeté,
Criou Parsis e Le Brésil
Dedicação de uma Amiga,
Mulher de Alma Febril,
Conselhos à Minha Filha...
Nísia, estrela do Brasil...
Fany ou o Modelo das Donzelas,
Opúsculo Humanitário,
40 Pensamentos em Versos
De sentimento solidário,
Direito das Mulheres/Injustiça dos Homens
Nísia... quão nobre itinerário...
Passeio ao Aqueduto da Carioca,
Brasil Ilustrado, Pranto Filial,
Colaborou em vários jornais,
Obra múltipla, monumental,
Interveio na Realidade,
Do Contexto Social...
Nísia Floresta é um ícone
Feminina, libertária..
Símbolo para as mulheres,
Ativista, solidária,
Todo o reconhecimento,
À Nísia Revolucionária...
Os Ombros Suportam o Mundo
Mundo Grande: Nudez bela...
Esquecer para Lembrar...
Os Ombros Suportam o Mundo:
Sou Fã.zen.deiro do Ar...
Boitempo a Rosa do Povo :
Num Galope a Beira-Mar...
*Elogiar Gustavo Dourado, é pouco perto de tudo que ele vem deixando com tanta riqueza e variedade, onde presta homenagens fabulosas aos grandes mestres da Literatura. Sua força da palavra é inequívoca de pensamento, em todos os seus textos publicados, atento sempre , deixando-se filosofar nas entrelinhas. " O Poeta pensa; o pensamento (se) delineia; o Poeta escreve; faz frases e faz nascerem palavras de seu mundo fraseado." *
http://www.gustavodourado.com.br/biografia.htm
Efigênia Coutinho