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A Feijoada
Era considerado. Sujeito-homem, como diziam na favela. Traficava desde os dezesseis. Estava com vinte e cinco. Um veterano. Um sobrevivente nesse meio onde a vida é curta. Tinha um dom. Conseguia enxergar dentro das pessoas. Era bater o olho e pronto. Sabia se podia confiar ou não. Sua cabeça estava a prêmio. Muito dinheiro. Mas confiava no pessoal. Se a confiança minasse, babau! Tinha que¨subir o gás¨*. Até que soube que Dona Dalva havia feito um contato estranho, com um policial. Mandou chamá-la, disse que tinha um presente pra ela. Dona Dalva tinha sido sua ama-de-leite. Confiava, mas precisava olhar dentro dela. Olhou. E viu medo. Viu traição. Não tinha outro jeito. Deu-lhe um beijo e lhe entregou os pertences pra feijoada. Que nunca iria ficar pronta.
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Adriádene Cavalcante Rodrigues - adyady@bol.com.br
Guarulhos, SP. Professora de Português e Inglês, e Assistente de Faturamento.