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Pisces
( Dácio Jaegger BRA )
Cento e trinta e cinco milhões de habitantes na ilha-estado cujo comprimento maior tem 32 km, e que se transformou no maior produtor de processadores, memórias e softwares do mundo. Verticalizada, seus prédios atingem em media seiscentos metros de altura, o mais alto com 985. Não produz insumos vegetais e tem a maior renda per capita do planeta. Os softwares estão voltados para robôs, que produzem peças de informática, câmaras fotográficas e filmadoras, telefonia e TV digital, submarinos, aviões e helicópteros, sem intervenção humana.
Na ilha de Bha-B-Ehll um sistema de produção de peixes, foi construído no sub-solo atingindo a profundidade de 100 metros. Em imensas caves ligadas não menos por gigantescos túneis, existem prateleiras de tubos plásticos transparentes e no seu interior gaiolas do mesmo material, com água corrente injetada, oxigênio e rações de alta qualidade, a par da extração de CO2 e dejetos. Os peixes não nadam, não desperdiçam energia e tem um aproveitamento de 97,98 % do alimento ingerido. De origem marítima, modificados geneticamente, não tem olhos, nem a linha lateral sensível para não se estressarem com o mínimo ruído que venha de fora; suas nadadeiras quase tocos, são dispensáveis, porque envoltos em telas elásticas mantém-se equilibrados. Seus fígados hipertrofiados por cirrose, rins policísticos, hipercorações e hiperpulmões fornecem os mais saborosos patês. Sua vísceras ocas processadas e enriquecidas por sub-produtos da soja e vitaminas retornam como rações balanceadas.
Shen-chu-lai, terminou o trabalho de seis horas na sua mesa de controle da fábrica de peixes e subiu no silencioso carpete deslizante que passa ao rés da porta. Deixou para trás o suave perfume de rosas, e passa a aspirar a adorável fragrância do lótus. Após uma centena de metros percebe a mudança do odor para o plátano, deixa seu transporte e galga a escada rolante que o leva seis níveis acima onde é recebido pelo agradável aroma de pessegueiros. Por onde passou, vegetação artificial luxuriante com flores desabrochando lhe agradou os olhos e a mente, cansada de tanto encarar nos monitores a anatomia interna dos animais, com o uso de micronda cintilográfica tridimensional. Pesquisa de doenças neoplásicas, a incidência ainda era grande e o controle de qualidade exigente.
Saiu da escada e pisou em solo firme, deu 22 passos e entrou na cápsula supersônica tubular, sentou, sentiu o cheiro de café quente e ordenou ao robô estático, que expeliu uma cápsula. Mastigada, liberou gomas programadas, cada qual um gole de café quente saborosíssimo, lembrava carne de badejo. Mal saboreou o último gole estava sob o edifício onde morava, no extremo norte da ilha. Levantou-se, uma ventosa colou-se na fuselagem translúcida do seu transporte para impedir a entrada de ar poluído, a porta abriu-se, entrou, sentou-se, e ela fechou-se, um casulo, levando-o envolto em sutil cheiro de menta. Vinte segundos, seiscentos metros acima do solo, foi depositado numa cápsula um pouco maior, com visão apenas para o exterior, inundada por uma diáfana luz azul Avançou lentamente na horizontal por uma galeria transparente.
Shen, deitado tirou a roupa, levantou-a na frente de uma tela de plasma. Ela volatizou atomizada na sua mão. A seguir foi molhado, ensaboado, massageado vigorosamente por ondas curtas emitidas por vários tentáculos que chegaram até o seu corpo. Enxugado com raios infravermelhos, sentiu a lavanda inebriando o ambiente que já estava seco, sem vestígios da ducha que havia acontecido há menos de minuto. Deitado estava deitado ficou quando brotando das paredes, travesseiros e colchão se insinuaram sob seu corpo, e lençóis de luz aquecida o mimosearam suavemente. Queria comer, deu vários comandos de voz e surgiram da parede alguns tubos que lembravam ordenhadeiras. Outros comandos e passou a receber pastas de carne de peixe com sabores variados que imitavam arroz, tomate, alface, pepino, e em special filé mignon. Alimentado, assistiu alguns digitais com exposição meticulosa de uma nova técnica que a empresa em que trabalhava estava implementando no nível 12. Há um ano começaram com experiências de cultivo de fígado que no momento atingiam à metade do tamanho dos peixes doadores das células tronco. Cinquenta quilos.
Dormiu seis horas, acordou, lembrou-se de Mia-Lha Lonjy, em um prédio com 45 mil moradores há doze quilômetros dali. Sua voz determina o surgimento dela em imagem congelada no canal exclusivo no monitor quântico; ela aceita a ligação e sorri, colocou um dedo nos lábios e atirou-lhe um selinho.
Shen percorrido por um calafrio retribuiu o carinho. Os dois começaram a ser visualizados por lentes vídeo-estereoscópicas e captura de som. Mia eletrizou-se. Suas mãos percorreram seu corpo. Shen sente o cheiro eletrônico do corpo daquela que o sistema procurara há seis meses, e com a aquiescência dela, lhe apresentara. Sussurros percorreram seus corpos, ondas de espreguiçamento viajaram por todos os músculos, os pulmões arfaram, os corações aceleraram. Suas imagens teletransportadas tem um encontro sexual holográfico na Magic Suíte 33.221, autenticado e autorizado automaticamente sob rigoroso sigilo por robôs inteligentes, do Controle Estatal de Sexo-Vírtual de Bha-B-Hell...
Dácio Jaegger
Niterói - RJ - Brasil