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Poeta quero ser
( José-Augusto de Carvalho POR )
Poeta quero ser da melodia à rima,
do grito de revolta ao grito da recusa...
Que importa se morrer nos braços da Medusa,
se há muito eu já morri, nas ruas de Hiroshima?
Aqui, recuso ter a paz dos cemitéros.
Aqui, recuso ser um cúmplice comparsa
que aplauda ou represente a náusea desta farsa
que, sobre escombros, ergue os circos dos impérios.
Vermelho é o meu sangue e vivo se derrama
em versos de emoção e gritos de recusa,
sem nunca se render, à fúria que o vitima.
Do tempo que passou ao tempo que me chama,
que importa o meu morrer nos braços da Medusa
se há muito eu já morri nas ruas de Hiroshima?