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Os Corais de Irina

(Alejandro César Alvarez ARG - Los Corales de Irina -Trad. Tadany Cargnin Dos Santos )

 

 

 

Como num barco fantasma regressam os netos do passado.

Formam fila. Donos de semblantes atônitos.

Vestidos com suas roupas simples e seus nós de história.

Descem, mas tu não estás ali.

Falta a tua espuma a este emaranhado de corpos reciclados.

Terna Irina da metade do caminho.

Recife debutante entre o meridiano do ser e do estar.

Hoje, minha espera é lenda de marinheros embalados pelo vinho, os quais narram histórias que me falam de ti.

Frágil Irina de nenhuma parte. De oceanos escuros.

Matriz oculta por baixo de ondas assustadas. Contam que perambulas entre almas nômades de corais vermelhos, sobre a maré alvorotada.

Desde o trapiche anelo o ondular de teu lenço migrante,

agitado de vida.

Mas as documentadas silhuetas do tempo

resvalam cinzas pelas madeiras picadas,

quantos peixes errantes com suas bocas rígidas, e sem ti.

Irina de terras prometidas e entregadas.

Te amo desde meu seco purgatório, úmido de âncoras e vapores.

Flutuando distante, na insconstância eterna de tua terra ausente, de

um lugar inexistente.