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Lamúrias de escritor ?
Tânia Barros
Eu não sei bem como dizer, mas creio que há um certo cheiro suspenso naquele tipo de atmosfera literária mais concorrida que não consigo claramente nomear. Espera aí, não consigo ou não quero? Espera aí, não quero ou estarei sendo apenas insinuante?
Está bem, não vou me aprofundar no assunto, mas que há um certo odor deletério sobre as paisagens literárias concorridas isso há. Aqui para nós (não, eu sei, já disse que não vou discorrer sobre o tema), mas todos sabemos que escrever é céu e inferno, e participar de alguns meios, grupos, destes que semeiam por vocação a plantinha carnívora da fofoca e da inveja, isso não há como negar, é uma parte do inferno.
Poucos amigos fiz nos meus poucos anos de fazer literário. E os melhores amigos são aqueles que em algum momento me ofereceram apoio e reflexão. Estes, sim, eu os respeito e os louvo.
Certamente que há em qualquer esfera do trabalho humano pedras e glórias. A literatura não escapa dessa regra. Os percalços são muitos, vão desde a criação até à divulgação da obra, passando por entraves de todos os tipos, como: preconceitos relativos ao próprio ofício por parte da sociedade, falta de tempo para aprimorar o texto, a idéia, e segue por aí. O que não permito em um autêntico artista, escritor, é a traição a si mesmo, aos seus preceitos, sua intuição, sua vocação, em troca de alguns elogios advindos dessas geografias insípidas.
Num mundo ainda hipócrita, além de miseravelmente tirano com relação à arte, à criatividade, liberdade e diversidade, só mesmo apelando às musas, ao Buda, ao Cristo, para Maomé, e todos os santos. Pois se de uma coisa eu tenho certeza é a de que a minha alma eu não vendo ao Demo. Meus apelos são quase todos ao meu EU, de forma que não me transforme no monstro do lago Ness, mas também não deixe meu ego ser outro monstro.
E que haja Anjos a nos guardar da nossa própria ignorância, ingenuidade e anarquia.