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“UMA ROSA É UMA ROSA, É UMA ROSA...” Raymundo Silveira
Ernest Hemingway tomou este verso emprestado de Gertrude Stein para servir de epígrafe a um dos seus mais famosos livros: “O Sol Também Se Levanta”. Ignoro se o escritor pretendia exaltar a flor ou homenagear a poeta. Isso pouco importa. Só há uma coisa em comum entre esse texto e o episódio: é que também vou tomar emprestado o verso para reverenciar uma Rosa. Só que se trata de uma Rosa mulher.
Sim. Antes de tudo é uma mulher. Bastaria isso para merecer homenagens. Homenagens, no plural. Diárias. Não uma vez só por ano. Essa Rosa é uma mulher muito especial, pois é também excelente poeta e escritora. Já devem saber que estou me referindo a Rosa Pena. Um nome já consagrado nos meios intelectuais do país.
Ela confessa ser “Amante da vida, chegando quase a ser atrevida com ela. (...)
Viciada em ler, considera que a leitura é o grande guia para educação sentimental.
Que escrever foi uma das alternativas que encontrou para mostrar o seu jeito de agir, ser e reagir diante deste tumultuado mundo contemporâneo. Foi mais além. Foi a forma de suportar a grande solidão que reina no individual de cada um, por mais acompanhado que se esteja”.
Bem, isso é o que ela diz, na sua modéstia. É muito mais do que isso. É capaz, por exemplo, de escrever poemas que são verdadeiros hinos.
Ao amor:
“Nosso caso...
Ah! Este nosso caso.
Vivemos eternamente de avanços
e retrocessos...
Nos desmanchamos em brigas
Nos recompomos no amor em
excessos.”
E à vida:
“Meu corpo que fique cansado!
Mas meu coração?
Ah!... renovado!
Que seja uma noite super feliz.
Exatamente como
Jesus sempre quis.
A divisão do pão,
a verdadeira união”.
À Solidariedade humana:
Viver é coisa,
do dia- a- dia.
Sem você?
Sobreviver é teimosia.
Amor é feito de carboidratos
cheio de calorias.
Alimenta minha alma esguia!
Meu ultimato:
Chega de lero- lero.
Obedeça ao programa
Fome Zero!
E à Juventude:
Menino, em teu claro olhar e leve,
navegam coloridas formas de geografia,
contornos insinuantes de mulheres,
vontade de fazer o que não deve.
Em suma: para cada nobre sentimento ou condição humana Rosinha tem um afago em forma de Poesia. Feita de lindos versos, como vêem.
Mas ela não é somente poeta. É também a contista, a cronista e a ensaísta prolífica que dá gosto ler e admirar. Sinto-me privilegiado ao me confessar leitor e fã incondicional da escritora e por poder reverenciar a excepcional mulher que é Rosa Pena. E é com muita emoção e prazer que lhe presto esta singela homenagem.
16/03/2005