Sandro Battisti |
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ficção cientifica
O DESENHISTA
IL DISEGNATORE
trad. Eliude Santana
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Sandro
Battisti |
Chorava e se revolvia
debaixo dos lençóis, poeira
suspensa no ar.
O momento de calma das
imagens estragou o seu sono:
estava acordado, rígido.
Murmúrios distantes se
perdiam no céu azul-noite de
Moscou projetado no seu teto
baixo e eram perfeitamente
percebíveis, codificados,
reagrupados na sua memória,
em tantas redes Net-Art.
Era influenciado ou gerava
seus códigos? Desorientado,
suado, não ousou abrir as
janelas nem mesmo descer da
cama, regulado pelos
algarítimos exadecimais.
Pegou o mouse a alta
frequência, de formas a não
ser apanhado por log-on
externo e desenhou figuras
atípicas no fundo do vídeo,
assincronias branco e preto.
Figuras noturnas com luzes
indistintas, frases confusas
quase como códigos de
máquina de tipologias locais
– nem se fossem Net com
velhas PTF – e uma
indistinta sensação de medo.
Isso era o que se lembrava e
via retratado vivamente alì,
posicionado em todas as
janelas e aquele cheiro
corrosivo, ácido
semicondutor.
Deixou a fantasia livre das
recordações.
Desenhou em perfeito estilo
honírico, sujo de
programações – lógica
descritiva de àrvore
paranóica - descreveria um
psiquiatra – mas aquela
sensação de desconforto
assim tão profundo não lhe
deixava, seria porque não
tinha sido ainda anestesiado?
Talves porque cabos
condutores desproporcionados
não passavam pela sua concha,
proveniente do nada em
direção ao nada?
Tantas, muitas besteiras,
pensou, estavam se
comunicando. Deixou o
desenho inexpresso e deixou
que o sono chegasse de novo,
através do etéreo endereçado
tridimensionalmente em bit.
Sentimento de solidão.
Sentimento de quieta
aquiescência a algo que lhe
pegava e levava em direção à
altas torres de cristal,
luzentes como telas de
proteção novas, escuras.
Vozes que lhe diziam “teu
Servo, formosa” lhe deixavam
abobalhado como vírus de
geração lhe jogavam de
alturas estranhas,
monodimensionais com 16
cores alternados, fazendo
que não chegasse nunca à
altura Low-Value. Era
suspenso alì, em uma parte
não definida e sofria fortes
influxos incompreensíveis,
desestruturados, que lhe
arrastavam em decadentes
casas fechadas e
desmotivadas, privas de
impulsos.
Os sentidos começam a
aparecer improvisamente, pra
depois sumir em uma nuvem
dissolvida de agulhas de
emoções sintéticas, líquidas,
prontas para serem injetadas.
E a agulha penetrou no fundo
da sua pele empurrando
dentro todo aquele líquido
escuro.
Terminou cheio do horror
mais puro, cheio de
angústias primordiais de
índios de maus companheiros
mentais.
No torpor indistinto sentiu
a presença de alguma coisa
enormemente escura, malvado
que lhe atormentava e
comandava de modo indefinido.
Estava lhe ordenando hiper
textos explodidos de log e
parâmetros sempre novos,
sempre diversos: histórias
do tempo antigo pareciam de
serem, noções de noções
psicodélicas que rodopiavam
loucas de casualidades até
tocar sempre mais perto,
sempre violentas mesmo se
discretas.
Enfim lhe agarraram.
Precipitou em alucinantes
túneis verticais sem se
sentir leve: era pesado como
nunca lhe havia acontecido,
como nunca teria esperado.
Uma auréola em sentidos
oblíquos, definiveis como
visões externas em áreas
escondidas dos estados
mentais desviados, lhe pegou.
Morreu lentamente entre
atrozes dores, em ausência
de definições de path
lógicos, pensou.
Os particulares lhes fugiram
por último assim não pode
esconder a si, o último
susto: violentas barrufadas
de fumaça drogada amarela e
levantava das fábricas
multinacionais e envolviam
magabyte de atmosfera,
transferindo informações em
simulações cerebrais,
contando obscurantismos
extremos em decadências e
pesadelos exotéricos.
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