Marco Milani |
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ficção cientifica
REFLEXÕES
SOBRE
AS CARACTERÍSTICAS
DA ITERAÇÃO
RIFLESSIONI SULLE
CARATTERISTICHE DELL’ITERAZIONE
trad. Eliude Santana
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Marco Milani |
- Mordias! Venha ver o que
achei.
- Mas… è somente um velho
jornal. Daqueles ainda em
papel brilhante.
- Sim, Exato. Porém, em vez
de velho, é antigo. Deve ter
trazido papai quando fez a
última viagem.
- Deixe-me ver.
- E’ escrito em maneira
compreensível. Porém, o
estilo é muito antiquado,
veja as letras, a paginação…
“Reflexões sobre as
características da iteração”.
- O que quer dizer?
- Nao sei. Eu vi o título em
garrafais, me deu vontade
automaticamente de lê-lo.
- Vai, leia todo.
- Mas se não tenho nem mesmo…
- Vai, leia! Leia! Icarus…
Vai!
- Tà bom, Quando faz assim,
me vem um ódio por haver uma
irmã menor. “Reflexão sobre…
...as características da
Iteração”.
Reação à Iteração?
Resultado igual, soma zero.
Simples, e como acontece a
todas as coisas simples
passada inobservadas pela
civilização tecnologicamente
avançada (inobservada por
muito tempo) era impensável,
devido à grande simplicidade.
A reação à iteração è o
resultado de um
contato-escontro entre
matéria e anti-matéria no
estado puro, com uma
explosão de energia
(tentando usar expressão
simples e o mais facilmente
possível pra a compreensão)
e consequente anulamento de
ambas as partes.
Jà no ano de 2002, um tal
Battisti Sandro, “gothologo”
terrestre, havia expresso em
grandes linhas e exatamente,
de acordo ao ponto principal,
como indicado em alguns
apontamentos chegados até
nòs depois de mais de dois
séculos, sobrevivendo à
guerra civil. E agora, que a
teoria da Iteração não è
mais uma teoria, a resolução
dos problemas de conivência
entre os homens vivos, e
ex-viventes chegou
finalmente a uma viravolta.
Mas, acelerando um pouco. Do
ponto de vista restritamente
histórico percorremos as
etapas salientes
atraversadas do povo dos
ex-vivos até hoje (estamos
ainda sómente sobre o
planeta natal, Terra, longe
bem vinte anos das primeiras
colonizações satelitares)
acrescentando algumas
reflexões.
Até 2047, as informações
referidas sobre os ex.vivos
eram um acúmulo de mentiras,
transformadas artisticamente
pela natural idiotia e
crença tipicamente humana,
com respeito à natureza
mortal do modo em que viviam.
Tudo tendia a desnaturar o
fenômeno e/ou a isolá-lo de
forma mais absurda, e pra
sorte deles os ex-vivos
conseguiam manter um
relativo anonimato. Eram
pouquíssimos os que sabiam
ou acreditavam na existência
real dos zumbis (assim eram
denominados vulgarmente), os
quais por sua vez, como jà
dito, faziam de tudo pra não
serem notados.
Se criou uma série de lendas,
de igual passo foram
incorporadas aos mitos
monstruosos e fantásticos de
vampiros, lubisomens e
fantasmas, sobre as costas
de séculos de ignorância da
realidade, mas que,
felizmente, o progresso (considerado
como tal) entao se ‘revelou’
como uma indiscutível
presença. Me lembro também,
como exemplo, as reações
incrédulas (essas também,
tipicamente humanas) cada
vez que o engenho do homem
ou a sua vontade superou
limites até então
considerados impossíveis,
dados por uma coisa natural.
Veja a eletricidade, as
ondas de rádio, a primeira
viagem à Lua referentes ao
vigésimo século; veja os
vôos hiper-estrelares, o
sistema Browner, as fibras
ótico-hipéricas e os planos
paralelos no vigésimo
primeiro século; o
mesmerismo real e a mesma
teoria, agora provada, de
Iteração no nosso tempo. Não
tem de que se abismar.
Um fato particular pra se
lembrar a título
nocionístico, relativo aos
vários atos de denegrir,
pela sua singularidade e
efeito referente ao dito “Voodoo”,
na então ilha do Haiti antes
de aprofundar-se, por vários
séculos, sede de ritos de
vários tipos até se tornar
em característica local
folclórica horrível e
desconhecida e,
principalmente temido, em
todo o globo. No final dos
anos dois mil descobriu-se o
‘segredo terrível’ do Voodoo:
remédios e drogas, e uma
crença estabelecida a nível
neural.
Depois de cinquenta anos
exatos, chegamos ao 2097,
ano em que o doutor Marcus
Blanc, da Confederação
Franco-elvética-lunar,
formula e publica a “Teoria
da Iteração de base” a qual
conhecemos. Ligando as
diferenças essenciais entre
os viventes e os ex-vivos
dando o primeiro sinal de
confrontos raciais (um
efeito porém, não proposital)
em concomitância ao
extermínio dos homenzinhos
do sistema Sirio B dopo a
inicial convivência pacífica.
Se comenta em termos
algébricos, em 2114, e aqui
Marcus W. Blanc Junior, da
estação orbitante Pegaso,
retomando os estudos do pai,
calcula a constante T,
equivalendo a doze segundos,
três décimos e seis
centésimos. Quer dizer, ‘o
tempo limite de contato’
entre viventes e ex-vivos
além do qual se iniciou a
reação da Iteração
irreversivelmente, com
deflagração e anulamento.
Logo, somatória material
igual a zero.
Ao mesmo tempo, exclue toda
relação de variação devido
ao tipo e à qualidade da
alma dispersa que gerou o
ex-vivo. Por isso estabelece
a Primeira Equação de
Iteração como se vê nos
atuais textos escolares:
(V + Vex) x T = (E + “-E”) x
T = 0
onde V (vivente) è igual a E
(energia), Vex (ex-vivo) è
igual a “-E” (energia
espiritual) e T (no lugar da
variável t tempo) è a
constante igual a 12”3d 6c.
Passam-se outros vinte e
cinco anos antes que o mesmo
Blanc Junior se desse conta
que a simplicidade do
problema lhe fez perder
tempo em inúteis cálculos
monstruosos. Hipotiza então,
a segunda equação, dita dos
Acasalamentos:
1) Vm + Vd = V
2) Vm + Vexd = Vex
3) Vd + Vexm = Vex
4) Vexd + Vexm = V
constatando a pura
matematicidade elementar da
mesma em quatro casos, vendo
a similaridade à soma dos
sinais + e -, propondo os
viventes como adição
positiva e os ex-vivos como
adição negativa.
Se ve claramente que,
independentemente do sexo,
(‘m’ ou ‘d’) das unidades
acasaladas se confirma parte
da Prima Equação. Dessa
Segunda Equação, se conota
porém os limites, ou melhor,
a impossibilidade prática
(mas não teórica) dos casos
2, 3 e 4 em que se obteria a
Primeira Equação com o tempo
t superior a T constante.
Chegamos, enfim, aos nossos
dias. Seis anos atrás,
exatamente o dia 12 de
janeiro de 2193, foi
encontrada a aplicação no
campo interforça de baixo
nível. Basil Salnicus,
pleitólogo de Sonda IV,
aplica o mesmo princípio de
funcionamento do campo
matéria-antimatéria,
construindo um reator de
dimensão de uma mão, com
qual se gera o C.D. (campo
divisório).
Felizmente, as relações com
as colônias terrestres são
em constante melhoramento
depois da última convenção
extra-solar assinada na
astrobase Explorer III.
Seguindo esse exemplo e se
lembrando juntos do
recentíssimo reconhecimento
à autonomia aos Six, os
Hominidios artificiais do
sistema Sirio B e aos
Andragonios de Alpha VII (mesmo
dentro dos limites das
próprias reservas), se
espera muito no positivo
mesmo à consistência dos
viventes e ex-vivos,
finalmente sem nenhuma
descriminação racial.
A vontade transparece, mas a
estrada è muito longa ainda,
mesmo sendo aquela certa,
colocando em relevo que os
Mudados sao agora
completamente inseridos (depois
de longuíssimas batalhas) no
tecido social de
asteróides-estado e colonias.
Tem, porém, a nota negativa.
Infelizmente está nascendo
na Terra, na zona
alemã-européia, um novo
movimento jóvem filonazista,
que se refaz à superioridade
pura do arianismo e
professante da doutrina
inspirada no chefe religioso
deles, fundador da órdem no
vigésimo século, o profeta
Adolfo Hitler.
Aos nossos governantes, um
aplauso pelos esforços
efetuados e um conselho:
impedir que centilhas da
violência passada retornem
como fantasmas em tempos jà
maduros à coesão universal.
13 de maio de 99 - Diretor
J. Von Rostock."
- Quanto voce entendeu?
- Quase nada, Se lê mas è
difícil. Tantos termos que
não conheço, são muito
estranhos mas o discurso se
consegue seguir, em linhas
gerais.
- Eu também entendi pouco.
Fala até da Terra. Veja a
capa…
- Sciense Press, n. 24 de
julho de 2199.
- Minha nossa! Você tinha
razão, há mais de cento e
cinquenta anos. E’ mesmo
velhíssimo.
- Exato, muito, muito velho.
- Quem sabe quanto poderà
valer, heim Icarus?
- Não sei, Mordias, não
tenho a menor idéia.
- E se entregassemos ao
Pantheonid? Ele poderia nos
dizer quanto se poderà
ganhar.
- Não. Panthenoid è um
ladrão. E’ melhor esperar e
nos informarmos. Mantemos
escondido, nunca se sabe,
talvez vele mesmo uma
fortuna. Se estivesse aqui a
nossa mãe…
- Ela saberia?
- Ela jà teria vendido ao
valor mássimo.
- Porém…
- Porém, o quê?
- E’ estranho… nunca ouvi
falar dessa coisa que você
leu.
- Eu também estava pensando
o mesmo.
- Talvez a Terra existiu
realmente… não è somente uma
lenda.
- Se for verdade, sim. Mas,
é mais provável que seja um
trabalho de fantasia, um
romance, A terra deveria ser
um planeta que deu origem a
todas as raças da
Confederação, segundo o que
diz a religião Asimovista.
Mas quem acredita naquilo
que diz aqueles loucos
furiosos que vão por aì
vestidos com cores laranja?
- Porém seria uma grande
descoberta, ficariamos
famosos.
- Sim, è certo. Mas não meta
na mente idéias estranhas.
- E…
- E…?
- E nòs, se fosse verdade,
aqui no sistema Sirius Beta
seríamos uns… Homenidios
artificiais. Certo?
- Certo.
- E o que quer dizer?
- Não tenho a menor idéia.
Estas palavras antigas não
são fáceis de compreender.
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